Apresentação
A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de
Cristo - Corpus Christi, existe somente por conta de três episódios:
A Revelação privada à Santa Juliana;
·
O milagre Eucarístico de Bolsena/Orvieto;
·
A publicação da Bula “Transiturus
de hoc mundo” pelo Papa Urbano IV.
A Revelação Privada à Santa Juliana de Mont-Cornillon, ou
de Liége (1191 - 1258):
Nascida nos arredores de Liége, na Bélgica, monja
agostiniana no Mosteiro Mont-Cornillon, com a idade de 16 anos (ano 1207) teve
uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações
eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma
faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o
significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja
na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa
litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira
eficaz, ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia
para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar
as ofensas ao Santíssimo Sacramento. Aquele que no futuro tornar-se-ia Papa
(Papa Urbano IV), Tiago Pantaleão de Troyes, durante seu ministério de
arquidiácono em Liége, conhecia a Santa e, também, foi conquistado pela boa
causa da festa de Corpus Christi.
O Milagre Eucarístico de Bolsena/Orvieto
(ano 1263):
Em meados do século XIII, o padre Pedro de
Praga duvidava sobre a presença de Cristo na Eucaristia. Para pedir sobre o
túmulo de São Pedro uma graça de fé, realizou uma peregrinação a Roma. Já no
caminho de volta, ao celebrar a Santa Missa em Bolsena, (não muito distante de
Orivieto), na cripta de Santa Cristina, a Sagrada Hóstia sangrou, manchando o
corporal com o preciosíssimo sangue de Jesus. quando sangue começou a escorrer
da Hóstia consagrada, gotejando em suas mãos e descendo sobre o altar e o
corporal. O padre ficou imediatamente perplexo, interrompeu a Missa e pediu
para ser levado à cidade vizinha de Orvieto, onde o Papa Urbano IV então
residia. O Papa ouviu o relato do padre. ordenou ao bispo da diocese que
trouxesse a Orvieto a Hóstia e o pano de linho contendo as manchas de sangue.
Juntamente com arcebispos, cardeais e outros dignitários da Igreja, o Papa
realizou uma procissão e, com grande pompa, introduziu as relíquias na
catedral. A relíquia está na Catedral de Orvieto, em uma capela construída em
honra a este milagre Eucarístico. Todos os anos, na época do da Festa de Corpus
Christi, o corporal sai em procissão.
A publicação da Bula “Transiturus de hoc mundo “pelo
Papa Urbano IV (ano 1264):
O Papa Urbano IV, em 1264, instituiu a
solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal, na
quinta-feira sucessiva à oitava de Pentecostes (quinta-feira após o Domingo da
Santíssima Trindade). Na Bula de instituição, intitulada “Transiturus de hoc
mundo” (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano evoca com discrição também as
experiências místicas de Juliana, valorizando a sua autenticidade, e escreve: “Embora
a Eucaristia seja celebrada solenemente todos os dias, na nossa opinião é justo
que, pelo menos uma vez por ano, se lhe reserve mais honra e solene memória”. O
próprio Pontífice quis dar o exemplo, celebrando a solenidade do Corpus Christi
em Orvieto, cidade onde então residia.
O objetivo da Solenidade instituída é o mesmo
da Revelação à Santa Juliana: adorar a Eucaristia
para aumentar a fé, prosperar
na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.
Ao confeccionarmos os quadros e tapetes, bem
como enfeitarmos seu entorno, temos como objetivo valorizar o Santíssimo
Sacramento do Altar e provocar, naquele que admira essa beleza artística, uma
mudança de mentalidade e o afloramento da necessidade de bem viver a
Eucaristia, aumentando sua fé, prosperando na prática das virtudes e, em
adoração, reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.
Com a prática de trazer nos tapetes as várias
temáticas, muitas vezes a Igreja apresenta ao mundo o próprio mundo, tornando o
espaço da celebração ambiente de reflexão sobre as mazelas do mundo e como
solucioná-las. Porém, apresentando a única e verdadeira solução, que é, viver
uma vida por Cristo, com Cristo e em Cristo.
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus
e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo.” (Mt 6,33)
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