QUADRO 3
“Instituição da Solenidade de Corpus Christi”
Papa Urbano IV
Bula “Transiturus de hoc mundo” – ano 1264”
Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi
conquistado também Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a Santa durante o
seu ministério de arquidiácono em Liége. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado
Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus
Christi como festa de preceito para a Igreja universal, na quinta-feira
sucessiva ao Pentecostes. Na Bula de instituição, intitulada Transiturus
de hoc mundo (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano evoca
com discrição também as experiências místicas de Juliana, valorizando a sua
autenticidade, e escreve: “Embora a Eucaristia seja celebrada solenemente todos
os dias, na nossa opinião é justo que, pelo menos uma vez por ano, se lhe
reserve mais honra e solene memória. Com efeito, as outras coisas que
comemoramos, compreendemo-las com o espírito e com a mente, mas não por isso
alcançamos a sua presença real. Ao contrário, nesta comemoração sacramental de
Cristo, ainda que seja de outra forma, Jesus Cristo está presente no meio de
nós na sua própria substância. Com efeito, quando estava prestes a subir ao
Céu, Ele disse: ‘Eis que Eu estou convosco todos os dias, até
ao fim do mundo’ (Mt 28, 20)”.
O próprio Pontífice quis dar o exemplo,
celebrando a solenidade do Corpus Christi em Orvieto, cidade onde então
residia. Precisamente por uma sua ordem, na Catedral dessa Cidade conservava-se
— e ainda hoje se conserva — o célebre corporal com os vestígios do milagre
eucarístico ocorrido no ano precedente, 1263, em Bolsena. Enquanto consagrava o
pão e o vinho, um sacerdote foi arrebatado por fortes dúvidas sobre a presença
real do Corpo e do Sangue de Cristo no Sacramento da Eucaristia.
Milagrosamente, algumas gotas de sangue começaram a brotar da Hóstia
consagrada, confirmando desta maneira o que a nossa fé professa. Urbano IV
pediu a um dos maiores teólogos da história, S. Tomás de Aquino — que naquela
época acompanhava o Papa e estava em Orvieto — que compusesse os textos do
ofício litúrgico desta grande festividade. Eles, ainda hoje em vigor na Igreja,
são obras-primas em que se fundem teologia e poesia. São textos que fazem
vibrar as cordas do coração para expressar louvor e gratidão ao Santíssimo
Sacramento, enquanto a inteligência, insinuando-se com admiração no mistério, reconhece
na Eucaristia a presença viva e verdadeira de Jesus, do seu Sacrifício de amor
que nos reconcilia com o Pai e nos confere a salvação.
Embora depois da morte de Urbano IV a
celebração da festa do Corpus Christi tenha sido limitada a algumas regiões da
França, da Alemanha, da Hungria e da Itália setentrional, foi ainda um
Pontífice, João XXII, que em 1317 a restabeleceu para toda a Igreja. Dessa
época em diante, a festa conheceu um desenvolvimento maravilhoso, e ainda agora
é muito sentida pelo povo cristão
Fonte: PAPA
BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL - Quarta-feira, 17 de novembro de 2010)
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