QUADRO 1
“Santa Juliana de Mont-Cornillon - Revelação”
Juliana nasceu entre 1191 e 1192 nos
arredores de Liége, na Bélgica. É importante ressaltar esta localidade, porque
naquela época a Diocese de Liége era, por assim dizer, um verdadeiro «cenáculo
eucarístico».
Tendo ficado órfã com 5 anos de idade,
Juliana com a sua irmã Inês foram confiadas aos cuidados das monjas
agostinianas do convento-leprosário de Mont-Cornillon. Foi educada
principalmente por uma religiosa chamada Sapiência, que acompanhou também o seu
amadurecimento espiritual, até quando a própria Juliana recebeu o hábito
religioso, tornando-se também ela uma monja agostiniana.
Juliana demonstrava desde o início uma
propensão especial para a contemplação; era dotada de um profundo sentido da
presença de Cristo, que experimentava vivendo de modo particular o Sacramento
da Eucaristia e detendo-se com frequência para meditar sobre estas palavras de
Jesus: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até
ao fim do mundo” (Mt 28, 20).
Com a idade de 16 anos teve uma primeira
visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas
adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo
esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O
Senhor levou-a a compreender o significado daquilo
que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha
opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica,
para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou
seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar
a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar
na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.
Durante cerca de 20 anos Juliana, que
entretanto se tinha tornado priora do convento, conservou no segredo essa
revelação, que tinha enchido de alegria o seu coração.
Faleceu no ano de 1258 em Fosses-La-Ville, na
Bélgica. Na cela onde jazia foi exposto o Santíssimo Sacramento e, segundo as
palavras do seu biógrafo, Juliana faleceu contemplando com um último ímpeto de
amor Jesus Eucaristia, por ela sempre amado, honrado e adorado. Pela boa causa
da festa do Corpus Christi foi conquistado também Tiago Pantaleão de Troyes,
que conhecera a Santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liége. Foi
precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264,
instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja
universal, na quinta-feira sucessiva ao Pentecostes. Na Bula de instituição,
intitulada Transiturus de hoc mundo (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano evoca
com discrição também as experiências místicas de Juliana, valorizando a sua
autenticidade, e escreve: “Embora a Eucaristia seja celebrada solenemente todos
os dias, na nossa opinião é justo que, pelo menos uma vez por ano, se lhe
reserve mais honra e solene memória. Com efeito, as outras coisas que
comemoramos, compreendemo-las com o espírito e com a mente, mas não por isso
alcançamos a sua presença real. Ao contrário, nesta comemoração sacramental de
Cristo, ainda que seja de outra forma, Jesus Cristo está presente no meio de
nós na sua própria substância. Com efeito, quando estava prestes a subir ao
Céu, Ele disse: ‘Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo’”
(Mt 28, 20).
(Fonte: PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL - 17 de
novembro de 2010)
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