quinta-feira, 25 de maio de 2023

QUADRO 1 “Santa Juliana de Mont-Cornillon - Revelação”

 


QUADRO 1

“Santa Juliana de Mont-Cornillon - Revelação”

 

Juliana nasceu entre 1191 e 1192 nos arredores de Liége, na Bélgica. É importante ressaltar esta localidade, porque naquela época a Diocese de Liége era, por assim dizer, um verdadeiro «cenáculo eucarístico».

Tendo ficado órfã com 5 anos de idade, Juliana com a sua irmã Inês foram confiadas aos cuidados das monjas agostinianas do convento-leprosário de Mont-Cornillon. Foi educada principalmente por uma religiosa chamada Sapiência, que acompanhou também o seu amadurecimento espiritual, até quando a própria Juliana recebeu o hábito religioso, tornando-se também ela uma monja agostiniana.

Juliana demonstrava desde o início uma propensão especial para a contemplação; era dotada de um profundo sentido da presença de Cristo, que experimentava vivendo de modo particular o Sacramento da Eucaristia e detendo-se com frequência para meditar sobre estas palavras de Jesus: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20).

Com a idade de 16 anos teve uma primeira visão, que depois se repetiu várias vezes nas suas adorações eucarísticas. A visão apresentava a lua no seu mais completo esplendor, com uma faixa escura que a atravessava diametralmente. O Senhor levou-a a compreender o significado daquilo que lhe tinha aparecido. A lua simbolizava a vida da Igreja na terra, a linha opaca representava, ao contrário, a ausência de uma festa litúrgica, para cuja instituição se pedia a Juliana que trabalhasse de maneira eficaz: ou seja, uma festa em que os fiéis pudessem adorar a Eucaristia para aumentar a fé, prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.

Durante cerca de 20 anos Juliana, que entretanto se tinha tornado priora do convento, conservou no segredo essa revelação, que tinha enchido de alegria o seu coração.

Faleceu no ano de 1258 em Fosses-La-Ville, na Bélgica. Na cela onde jazia foi exposto o Santíssimo Sacramento e, segundo as palavras do seu biógrafo, Juliana faleceu contemplando com um último ímpeto de amor Jesus Eucaristia, por ela sempre amado, honrado e adorado. Pela boa causa da festa do Corpus Christi foi conquistado também Tiago Pantaleão de Troyes, que conhecera a Santa durante o seu ministério de arquidiácono em Liége. Foi precisamente ele que, tendo-se tornado Papa com o nome de Urbano IV, em 1264, instituiu a solenidade do Corpus Christi como festa de preceito para a Igreja universal, na quinta-feira sucessiva ao Pentecostes. Na Bula de instituição, intitulada Transiturus de hoc mundo (11 de agosto de 1264), o Papa Urbano evoca com discrição também as experiências místicas de Juliana, valorizando a sua autenticidade, e escreve: “Embora a Eucaristia seja celebrada solenemente todos os dias, na nossa opinião é justo que, pelo menos uma vez por ano, se lhe reserve mais honra e solene memória. Com efeito, as outras coisas que comemoramos, compreendemo-las com o espírito e com a mente, mas não por isso alcançamos a sua presença real. Ao contrário, nesta comemoração sacramental de Cristo, ainda que seja de outra forma, Jesus Cristo está presente no meio de nós na sua própria substância. Com efeito, quando estava prestes a subir ao Céu, Ele disse: ‘Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo’” (Mt 28, 20).

 

(Fonte: PAPA BENTO XVI - AUDIÊNCIA GERAL - 17 de novembro de 2010)

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