FESTA DE CORPUS CHRISTI EM CASTELO – 2023
60 ANOS DE TAPETES ORNAMENTAIS
Há sessenta anos, a ação precursora de
senhoras voluntárias sob a liderança da religiosa Zuleide Pereira da Silva, Irmã
Vicência, da Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo, deu início à
confecção de tapetes ornamentais, com o primeiro quadro em frente à Capela da
Santa Casa no ano de 1963, com a transformação de material diverso em arte e
beleza com o fim de expressar adoração ao Santíssimo Sacramento na Festa de
Corpus Christi, sendo que até então, a manifestação dos fiéis em adoração ao
Santíssimo Sacramento que saia em procissão pelas principais ruas da cidade,
era, especialmente, por meio da decoração das fachadas e sacadas das casas e
pelas passadeiras confeccionadas principalmente por folhas de mangueiras.
A partir dessa experiência inicial,
coordenada pela religiosa Irmã Vicência, expandindo em tamanho e variedade de
material e expressões artísticas, a confecção dos tapetes ornamentais fez-se
característica da Solenidade em Castelo.
Desde então, a união dos fiéis voluntários
num trabalho, que ocupa um ano inteiro entre preparação e confecção, que
expressa o dom artístico de pessoas anônimas, transforma materiais diversos
(palha de café, flores, pó de pedra, pó de pneu, cepilho, recicláveis etc.) na
mais bela expressão artística a céu aberto no Estado do Espírito Santo,
elevando o resultado do esforço de expressão de fé a ser reconhecido como
Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Espírito Santo.
Neste ano, em memória aos sessenta anos de
tapetes ornamentais, viu-se a necessidade de rememorar o nascimento dessa
prática e, ao mesmo tempo, o verdadeiro sentido da realização de uma festa de
Corpus Christi.
Com a natural admiração da beleza dos
tapetes, corremos o risco de admirarmos o acessório e abandonarmos o essencial,
afinal, o que é belo nos atrai, mas, naturalmente deve nos remeter ao autor por
excelência da beleza, o próprio Deus.
Assim, nesse clima de reminiscências, a
temática dos tapetes foi especialmente escolhida para abrir os olhos dos homens
para o sentido de adorar, no belo, o Senhor que disse, “Eis que Eu estou
convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20) e se faz presente
em Corpo, Sangue, Alma e Divindade no Sacramento da Eucaristia.
O tema central desta festa é “Pão em todas as
mesas”, tema do 18º Congresso Eucarístico Nacional 2022, e a sequência dos 17
quadros apresenta a instituição da Solenidade de Corpus Christi, com o sentido
de uma festa litúrgica da Igreja Católica para adorar a Eucaristia para aumentar a fé,
prosperar na prática das virtudes e reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento.
Para essa manifestação memorial e
catequética, assim ficam distribuídos os temas:
“ADORAR A EUCARISTIA” - Primeiro grupo
de quadros: Instituição da festa litúrgica - Quadros 1, 2 e 3:
QUADRO 01 - “Santa Juliana
de Mont-Cornillon, Revelação” - Há a representação da revelação privada à
Santa Juliana de Mont-Cornillon que, em adoração ao Sacramento do Altar, tinha
a visão de uma lua cheia contendo uma mancha escura, revelada a ela, pelo
próprio Jesus Cristo, como sendo a Lua a Igreja e a mancha escura, a ausência
de uma festa litúrgica para Adorar a Eucaristia.
QUADRO 02 - “Milagre
Eucarístico de Bolsena – 760 anos” - Há a representação do Milagre
Eucarístico de Bolsena-Orvieto em 1263, quando, em Bolsena, no altar sobre a
cripta de Santa Cristina, a Hóstia na consagração sangrou sobre o corporal e,
em seguida, foi levada a Orvieto à presença do Papa Urbano IV, que constatou o
milagre.
QUADRO 03 - “Instituição da
Solenidade de Corpus Christi” - Papa Urbano IV - Bula “Transiturus de hoc
mundo” – ano 1264” - Traz a representação da publicação da Bula “Transiturus de
hoc mundo” pelo Papa Urbano IV, em 1264, que instituiu a Solenidade do
Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Corpus Christi como festa de preceito de
toda a Igreja Católica, a ser realizada na primeira quinta-feira após a oitava
de Pentecostes.
“AUMENTAR A FÉ” – Quadro Número “4”:
QUADRO 04 - “Maria, Mãe da
Igreja” - Representa a manifestação da fé, naquela que é modelo de fé. – A
maternidade de Maria em relação à Igreja.
“PROSPERAR NA PRÁTICA DAS VIRTUDES” –
A virtude teologal da Caridade manifestada na ação de exortação ao Povo de
Deus, Igreja, na motivação da relação entre fé e vida, com a Eucaristia
Alimento da Alma, que gera comunhão e partilha, ponto central dos temas da
Campanha da Fraternidade e do Congresso Eucarístico Nacional – Quadros ‘5” e
“6”:
QUADRO 05 – “Dai-lhes vós
mesmos de comer” (Mt 14,16) - Lema da Campanha da Fraternidade 2023 - Há a
representação da Campanha da Fraternidade de 2023, com o Lema: “Dai-lhes vós
mesmos de comer” (Mt 14,16) – A virtude da Caridade sendo exortada aos
fiéis.
QUADRO 06 - “Pão em todas
as mesas” - Lema do 18º Congresso Eucarístico Nacional - Adorar o Senhor em
Espírito e Verdade. Há a representação do Tema do 18º Congresso Eucarístico
Nacional - Aprofundar e motivar a relação entre fé e vida, através de ações que
abordaram a dimensão social e profética da Ceia do Senhor, como mesa aberta e
sacramento da partilha.
“ADORAR A EUCARISTIA” – “Fazei
isto em minha memória” (Lc 22,19) – “Eis que eu estou convosco todos os dias
até a consumação dos séculos” (Mt 28,20) – Nos quadros representamos a
Liturgia da Santa Missa, onde o Pão e o Vinho se tornam Corpo, Sangue, Alma e
Divindade de Jesus Cristo e na figura do Padroeiro da Provincia Santo Tomás de
Vilanova - Ordem dos Agostinianos Recoletos; representamos o Ministério do
Sacerdócio, sem o qual não haveria Eucaristia para Adorar antes de Alimentar - “Ninguém
come esta carne, sem antes a adorar;... pecaríamos, se não a adorássemos”
(Santo Agostinho) – Quadros “7” e “8”:
QUADRO 07 – “Liturgia - A
Santa Missa.” - “Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes
de padecer” (Lc 22,15) – Há representação da Santa Missa, Centro da Vida da
Igreja – Com um olhar para o sentido da Liturgia para o fiel: O “Desejar
ardentemente”.
QUADRO 08 – “Santo Tomás de
Vilanova” - Padroeiro da Província Santo Tomás de Vilanova – Ordem dos
Agostinianos Recoletos - Designado à pregação, ele a fazia com tanto empenho,
que o consideravam um outro São Paulo, pela profundidade de sua doutrina, ou um
outro Elias da nova Lei, por causa do zelo que demonstrava em seus sermões.
“PROSPERAR NA PRÁTICA DAS VIRTUDES” –
As Virtudes Teologais Fé, Esperança e Caridade são representadas nesse grupo de
sete quadros que nos apresenta ações geradas no amor de Deus que acolhido no
coração da Igreja, externa a caridade que acolhe, escuta, aconselha e exercita
a fé alimentando a esperança no próximo, que renovado num encontro pessoal com
Jesus Cristo, caminha para o Reino de Deus. – Quadros “9”, “10”, “11”, “12”,
“13”, “14’ e “15”:
QUADRO 09 – “arcores – rede
solidária internacional agostiniana recoleta” – Há nesse quadro a representação
da instituição agostiniana recoleta responsável pelas ações de assistência
social. A virtude da caridade organizada para dar atenção,
acompanhamento e promoção que beneficiam pessoas e
comunidades em situação de pobreza e/ou exclusão socioambiental,
preferencialmente em países onde esteja presente a família agostiniana
recoleta;
QUADRO 10 – “Projeto Vida e
Missão – 2022 - 2026” - Agostinianos Recoletos - “Seguir o Cristo pobre,
casto e obediente em comunidade de irmãos” – a Virtude da Fé reunida em obras
e orações no projeto de vida: “Queremos viver com radicalidade a nossa
consagração como discípulos missionários, convocados pelo Espírito Santo, junto
com os leigos, ao serviço da Igreja e do mundo, com uma só alma e um só coração
dirigidos a Deus”.
QUADRO 11 – “Vocação: Graça
e Missão” - “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-33) - Ano
Vocacional 2023 – Nesse quadro, a representação da Virtude (força) da Esperança
alimentada pela fé nessa ação da Igreja no Brasil a cada “Ano
Vocacional”: “Como objetivo geral o desejo de promover a cultura
vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias, na sociedade para que sejam
ambientes favoráveis no despertar de todas as vocações, como graça e missão à
serviço do Reino de Deus”.
QUADRO 12 – “Igreja
Sinodal” – Neste quadro há a representação da Virtude (força) da Esperança
alimentada pela fé nessa ação da Igreja Católica (universal): “Toda
a Igreja está convocada pelo Papa Francisco a percorrer o caminho rumo ao
Sínodo (outubro 2023): “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e
missão. Sinodalidade é o esforço coletivo e a busca contínua a “caminhar
juntos” como irmãos e irmãs que somos. É um jeito de ser Igreja pelo qual cada
pessoa é importante, tem voz, é ouvida, capacitada e envolvida na realização da
missão.”
QUADRO 13 – “Crianças -
Futuro” - “Deixai vir a mim as crianças.” (Mc 10,14) - Catequese –
Liturgia – Missão – Neste quadro há a representação da Virtude da Esperança. A
Igreja, Corpo de Cristo, desde a família e na liturgia apresenta às crianças
Jesus Cristo que as acolhe. Na catequese e na Infância Missionária, a Igreja
oferece como auxílio da formação da fé que a criança recebe na família,
encontros comunitários celebrativos e doutrinais para encaminhar as crianças
para um perfeito encontro pessoal com Jesus Cristo.
QUADRO 14 – “Jornada
Mundial da Juventude – JMJ Lisboa 2023” – Neste quadro vemos a continuidade
do quadro anterior. A criança acolhida se torna jovem, adolescente,
adulto-jovem, perde um pouco da segurança da família e se torna destino da ação
virtuosa da Esperança na Caridade da mão que conduz. “A Jornada Mundial da
Juventude (JMJ) é um encontro dos jovens de todo o mundo com o Papa.”
QUADRO 15 – “100 Anos do
Apostolado da Oração” – Castelo - Sagrado Coração de Jesus – Prosperar na
Virtude da Fé e da Caridade: Este quadro representa a fé na devoção ao Sagrado
Coração de Jesus que se revelou a Santa Margarida Maria Alacoque, em cujas
promessas aos devotos há a expressão da Caridade, há cem anos abençoando esta
comunidade.
“REPARAR AS OFENSAS AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO.”
– Neste único quadro, cujo tema atende ao
pedido revelado à Santa Juliana em 1208, há a representação do “Anjo de
Portugal” que em 1913, em Fátima, pede às crianças (extensivo a todos nós e em
todo o tempo) que adorem a Jesus na Eucaristia em reparação dos
ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido e
pela conversão dos pobres pecadores. – Quadro “16”:
QUADRO 16 – “Reparação às
Ofensas ao Santíssimo Sacramento” - O Anjo de Portugal – Neste quadro, que
conecta a revelação à Santa Juliana com a aparição de Nossa Senhora em Fátima,
na necessidade de, em adoração, Reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento da
Eucaristia, há a representação do Anjo de Portugal: “Vemos que sobre nós brilha uma luz
desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava e vemos o Anjo, tendo em a
mão esquerda um Cálice, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem
algumas gotas de Sangue dentro do Cálice. O Anjo deixa suspenso no ar o Cálice,
ajoelha junto de nós, e faz-nos repetir três vezes: – Santíssima Trindade, Pai,
Filho, Espírito Santo, (adoro-Vos profundamente e) ofereço-Vos o preciosíssimo
Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários
da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele
mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do
Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”
“ADORAR; AUMENTAR A FÉ; PROSPERAR NAS
VIRTUDES” – Nesse último quadro há a representação da tradição do povo
castelense no esforço artístico de fé para, na beleza dos tapetes, adorar Jesus
Cristo no Sacramento do Altar, com justa lembrança da religiosa que liderou, há
sessenta anos, os voluntários na confecção desses belos tapetes ornamentais. –
Quadro “17”:
QUADRO 17 – “Castelo Cidade
Eucarística” - 60 Anos dos Tapetes de Corpus Christi – Este quadro
apresenta o rosto do fiel castelense que, unido no amor de Cristo, doa de si o
que tem de melhor para o Cristo pisar, a beleza artística dos tapetes, construído,
não somente das matérias (flores, pó de pedra etc.), mas, principalmente, da
realidade das suas vidas, cheias de alegria, tristeza, incerteza, fé, angústia,
esperança, etc.. Há sessenta anos, a religiosa da Ordem das Filhas de Caridade
de São Vicente de Paulo, Irmã Vicência, liderou um grupo de voluntários e
montou um lindo quadro utilizando flores, pó de pedra, terra, folhagem, etc. em
frente à Capela da Santa Casa de Misericórdia de Castelo (Nossa Senhora das
Graças) para compor o tapete de Corpus Christi, até então confeccionado apenas
com folhas de mangueiras. A partir desse ato, a festa litúrgica de Corpus
Christi em Castelo passou a ser marcada pela expressão de adoração e fé do seu
povo na beleza atraente dos tapetes ornamentais.
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